Hoje era para ser um dia feliz: ontem meu Corinthians jogou bem, deu garra e ganhou a primeira etapa da final da Copa do Brasil, contra o Internacional. Era! Logo quando acordo, vou procurar as notícias sobre a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) na novela da obrigatoriedade do diploma para jornalistas e minha alegria se transforma em revolta.

Por maioria, o Plenário decidiu, nesta quarta-feira (17), que é inconstitucional a exigência do diploma de jornalismo e registro profissional no Ministério do Trabalho como condição para o exercício da profissão.

Segundo informa o site oficial do órgão, isso aconteceu porque eles entenderam que “o Decreto-Lei 972/1969, baixado durante o regime militar, não foi recepcionado pela Constituição Federal (CF) de 1988 e que as exigências nele contidas ferem a liberdade de imprensa e contrariam o direito à livre manifestação do pensamento inscrita no artigo 13 da Convenção Americana dos Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica”.

Como já disse aqui, eu acho um absurdo esta discussão, pois o jornalismo é uma atividade intelectual que, como qualquer outra, imprescinde de obrigação de formação superior. Afirmar que qualquer pessoa razoavelmente bem informada pode ser jornalista é um absurdo.

Onde fica a ética da profissão? O compromisso com a objetividade e a imparcialidade? As técnicas para escrever um bom texto jornalístico? Esta é uma visão mesquinha e que põe o jornalista como um profissional sem qualquer valor.

Se essa máxima fosse verdadeira, qualquer pessoa com bom nível de formação, de conhecimento, poderia também ser juiz, advogado, arquiteto, professor, médico… Não é preciso muito para se ler e entender de legislação, processos, etc. Muito menos para ministrar aulas e conversar com crianças e adolescentes.

Franklin Martins, em seu livro ‘Jornalismo Político’, afirma que toda a formação do jornalista gira em torno da sua missão maior: a lealdade com a sociedade. Para que isso aconteça é necessário que o profissional tenha conhecimentos de mundo que só a universidade pode oferecer.

É lamentável ter que discutir este assunto porque, pelo menos para mim, é óbvio que o jornalista precisa de formação acadêmica. Até porque, se não acreditasse nisso, não estava desperdiçando os meus dias indo para a faculdade e tendo que ficar acordada de madrugada para fazer trabalhos.

Não consigo nem escrever mais, estou muito chateada. Aos que estão na universidade ou já passaram por ela, meu muito boa sorte. Agora vamos precisar.

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Atualizado às 15h37…

Visitei todas as páginas que me enviaram no Twitter hoje sobre o diploma de jornalismo: uns contra outros a favor da decisão. Encontrei no blog “Jornal do Testa” uma reflexão interessante que estou dando ‘Ctrl C + Ctrl V’ aqui:

Tirando conclusões

1º – Qualquer pessoa que sabe cozinhar bem pode ser chef de cozinha de um grande restaurante, sabendo fazer tudo com o máximo de higiene e dedicação.

2º – Qualquer pessoa que tenha um pouco de criatividade e talento pode criar uma campanha publicitária.

3º – Qualquer pessoa que tenha pelo menos um pouco de bom senso e disciplina na hora de fazer suas contas mensais e saber  quando  e  o que pode gastar é um bom administrador. E se souber como gastar, onde apertar os custos e de que maneira pode economizar, essa pessoa ainda se torna um economista de mão cheia.

4º – O cara que sabe as regras de alguns jogos, como futebol, vôlei, basquete e handball, e tenha tido aulas de corpo humano dentro das aulas de ciências na escola, saberá muito bem como dar aulas de educação física numa escola, já que os professores não passam nada de interessante. E se essa pessoa for daquele tipo que gosta de uma academia, pronto, é personal trainer.

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  1. Joel Minusculi on quinta-feira 18, 2009

    Acompanhei com muita tensão e agonia o julgamento, voto por voto. Infelizmente a decisão foi a pior possível (8 contra 1). Fiquei desapontado, porque sou formando de jornalismo justamente agora em Julho (ou seja, subirei para pegar um diploma que “não vale nada para a sociedade”). Mesmo assim, contrariando as senhorias do STF, acredito que a formação é importante sim, pois é um lugar de experimentação. E no dia-a-dia das redações não há tempo para alguém experimentar e aprender, publicando matérias que interferem na vida dos outros.

  2. Bruno Cardoso on quinta-feira 18, 2009

    Eles tentam de todas as formas desmoralizar a nossa profissão. Se bem que, se analisarmos o trabalho de um grande número de profissionais atuantes na área hoje (lógico que existem exceções) talvez essa decisão seja correta. Sou a favor do diploma e de mais qualidade no Jornalismo.

  3. Hélio Sassen Paz on quinta-feira 18, 2009

    Ariane,

    Discordo totalmente dessa visão. Dá um look no meu blog! :)

    Besos,
    Hélio

  4. arianef on quinta-feira 18, 2009

    Joel,

    Eu também fiquei muito chateada, pois vou pegar um diploma ano que vem que não vale de nada no mercado. É claro, que o que importa é o que aprendi, não um pedaço de papel. Mas saber que você ficou quatro anos, durante quatro horas por dia se esforçando, buscando informações em outros meios, mesmo no casanço para um bonitinho que não fez nada disso tomar o seu lugar é desmotivante.

    Nós vamos ter um diferencial: que é a bagagem da universidade. Só espero que as portas não se fechem, pois a nossa mão de obra vai ser, em sua maioria, mais ‘cara’ para as empresas do que os não diplomados.