Bem diria a antropóloga Débora Leitão quando afirmou em um dos seus artigos que o olhar sensível é uma arte. A Globo está passando um comercial em sua grade, do ‘Criança Esperança’, que é uma verdadeira aula para nós jornalistas e fala justamente disso.
As peças seguem o conceito “Veja o mundo pelos olhos de uma criança” e admitem que, muitas vezes, os adultos acostumados com a realidade acabam ficando insensíveis aos problemas de quem necessita muito de ajuda.
No filme “Fome”, um pai com o seu filho caminha pelas ruas de uma cidade até que o menino aponta para uma criança de rua e afirma: “Pai, ele quer comer!”. O adulto olha cismado para o local, mas não vê ninguém. O narrador, em off, explica: “Às vezes, o problema está tão presente no dia-a-dia, que a gente para de enxergar”.
Assista ao vídeo:
Já discuti sobre a percepção jornalística aqui no blog, mas visto este gancho não pude deixar de ressaltar mais uma vez a importância dela na nossa profissão. Quantas vezes corremos tanto atrás de uma pauta, do furo do ano, mas deixamos de ver as mazelas dessa sociedade capitalista que está do nosso lado?
Quando vi esse vídeo achei que foi feito exatamente para nós, para todos os jornalistas. Como ponte entre a informação e o público, nós temos o dever de mostrar a realidade para tentar transformá-la.
Eu entrei para a faculdade acreditando fielmente na frase do jornalista Clóvis Rossi: “O jornalismo é a arte de informar para transformar”. Se nós cobrarmos, se mostrarmos essas mazelas da sociedade às autoridades, uma ora ou outra, eles acabam tomando uma medida.
Ou você acha que os políticos vão querer aparecer mal na mídia? Pode ter certeza que não. Infelizmente, nós não temos varinhas mágicas para resolver os problemas. Mas temos algo muito melhor e mais poderoso: o dom de fazer as pessoas refletirem por meio de nossas matérias.
Quanto mais a gente mostrar, mais incomodados ficarão as autoridades, logo, para parecer que são santos e que fazem muita coisa, eles vão tomar alguma atitude. O problema da humanidade, na minha opinião, é achar que a sua parte não vai fazer a diferença num todo.
Faz, sim, e pode acreditar nisso. Madre Tereza de Calcutá nos ensina: “O meu trabalho pode ser uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor”. Mãos a obra, colegas. Temos muitos problemas para mostrar!
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