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	<title>Ariane Fonseca - Jornalismo, Notícias e Opinião &#187; Entre Aspas</title>
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	<description>Artigos sobre jornalismo, atuação da mídia, notícias e opinião</description>
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		<title>A experiência de participar de um debate entre presidenciáveis</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 15:15:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Fonseca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nesta segunda-feira (23), tive a oportunidade de participar do primeiro debate entre candidatos à presidência da República promovido por emissoras de inspiração católica. Uma das empresas que organizou foi a que trabalho (Sistema Canção Nova de Comunicação), juntamente com a Rede Aparecida. Fui fazer a cobertura pelo cancaonova.com, trazendo notícias,  informações de bastidores e realizando [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nesta segunda-feira (23), tive a oportunidade de participar do primeiro debate entre candidatos à presidência da República promovido por emissoras de inspiração católica. Uma das empresas que organizou foi a que trabalho (Sistema Canção Nova de Comunicação), juntamente com a Rede Aparecida.</p>
<p style="text-align: justify;">Fui fazer a cobertura pelo <a href="http://noticias.cancaonova.com/debate/" target="_blank"><strong>cancaonova.com</strong></a>, trazendo notícias,  informações de bastidores e realizando a cobertura minuto a minuto.  A experiência é muito interessante,  mas cansa viu.  Viajei no domingo à tarde e voltei ontem pela manhã.  O debate começou às 22h e terminou por volta das 00h20.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1680"></span>A estrutura para montar um programa deste formato é muito grande: tinham 150 pessoas envolvidas com o evento de forma direta. E, mais uma vez, pude ver como é interessante o trabalho dos jornalistas. Cerca de cem profissionais estavam lá cobrindo o programa. Enquanto estava na correria, e via muitos colegas também na labuta, lembrei de um texto que escrevi ano passado: <a href="http://www.arianefonseca.com/index.php/profissao-reporter/algumas-verdades-sobre-a-profissao-jornalista" target="_blank"><strong>&#8220;Algumas verdades sobre a profissão jornalista&#8221;</strong></a>. Fato é que se você quer ser jornalista, precisa desmistificar a figura de pessoa com dinheiro e glamour.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Observações sobre os candidatos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quanto aos presidenciáveis, no discurso, sem sombra de dúvidas, a Marina Silva (PV) é a mais inteligente. A candidata é calma, não responde por impulso e sabe aproveitar o tempo que lhe é dado. O Plínio de Arruda (PSOL) é o humor negro em pessoa, por várias vezes ele tirou o riso da plateia. Também é um homem muito inteligente, mas com propostas de governo menos concretas que a Marina. Sem contar que o lema dele é protestar, ao invés de usar o tempo para falar de seus projetos, critica os demais candidatos.</p>
<p style="text-align: justify;">O José Serra (PSDB), apesar de ter boas ideias, fica muito em cima do muro para temas polêmicos, como a legalização do aborto, por exemplo. E precisa estudar mais síntese de ideias. Ele foi o que mais vezes foi interrompido no meio do pensamento, pois falava demais. A Dilma Rousseff (PT) não participou do debate alegando indisponibilidade de agenda. Nessa, os marqueteiros dela erraram feio. No momento do programa, a candidata postou no Twitter que estava vendo um vídeo da banda mineira &#8220;Pato Fu&#8221;. Plínio foi avisado por seus assessores e tornou público o fato, para delírio do público.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://tv.cancaonova.com/mostramateria.php?id=6342" target="_blank"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1689" title="DSC_6072" src="http://www.arianefonseca.com/wp-content/uploads/2010/08/DSC_6072-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /><br />
<strong>:: Veja os vídeos do debate</strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;">


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		<title>Efeito Barack Obama no Brasil: será que a onda pega?</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 15:58:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Fonseca</dc:creator>
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		<category><![CDATA[obama]]></category>
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		<category><![CDATA[redes sociais na política]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Ariane Fonseca e Sara Alves Barack Obama inovou, em 2008, quando inseriu a internet nos planos da campanha eleitoral. Com investimento nas redes sociais e na adesão dos jovens como formadores de opinião, ele conseguiu o que parecia impossível para muitos americanos: se eleger. Influenciada pelo case vitorioso do primeiro presidente negro dos Estados [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Por Ariane Fonseca e Sara Alves</em></p>
<p style="text-align: justify;">Barack Obama inovou, em 2008, quando inseriu a internet nos planos da campanha eleitoral. Com investimento nas redes sociais e na adesão dos jovens como formadores de opinião, ele conseguiu o que parecia impossível para muitos americanos: se eleger. Influenciada pelo case vitorioso do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, muitos candidatos brasileiros estão investindo este ano na rede mundial de computadores para tentar alcançar o mesmo resultado. Mas será que o plano estratégico de Obama se adequa a realidade do nosso país? Quem responde essa pergunta, e conversa com o Diário de um repórter sobre as eleições 2010 na web, é o jornalista <a href="http://twitter.com/rebelo_p" target="_blank"><strong>Paulo Rebêlo</strong></a>, que acredita que o modelo americano não cabe no cenário brasileiro, e o publicitário <a href="http://twitter.com/andretelles" target="_blank"><strong>André Telles</strong></a>, que pensa totalmente o contrário.</p>
<p style="text-align: justify;">Rebêlo é Mestre em Políticas Públicas, com especialização em Mídia, Comunicação e Telecomunicações, pela Central European University, em Budapeste. Já trabalhou em campanhas eleitorais prestando consultoria a candidatos. Telles é CEO da agência digital Mentes Digitais e pós graduado em Marketing pela FAE Business School, com MBA em Direção Estratégica pela FGV. É autor de três livros: “Orkut.com” (2004), “Geração Digital” (2009) e  “A revolução das Mídias Sociais” (2010). Confira o bate-papo!</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1579"></span><strong>1) Como a campanha eleitoral de Barack Obama está influenciando as eleições presidenciais brasileiras esse ano?</strong><br />
<strong>Paulo Rebêlo –</strong> A noção sobre a influência do Obama é bastante exagerada. Na verdade, virou um clichê e um pouco de grife. No Brasil, não dá certo por uma infinidade de fatores que vão muito além da exclusão digital. A influência é apenas para quem trabalha com política ou acompanha o assunto muito de perto e, mesmo assim, é apenas uma influência referencial porque a gente sabe que não há como replicar o modelo por aqui. A televisão e o rádio continuam sendo as maiores e mais efetivas ferramentas de campanha no Brasil. E vão continuar por muito tempo ainda, infelizmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>André Telles &#8211; </strong>Acredito que o estudo que vem sendo feito da campanha de Obama será a base para muitas das estratégias aplicadas aqui no Brasil. Claro que se adequando à nossa realidade e respeitando as singularidades do povo, já que a cultura americana é bem diferente da nossa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2) Nos Estados Unidos, o acesso a internet é maior que no Brasil, sem contar que a aderência às redes sociais no país do Tio Sam é mais evidente que aqui. Tendo em vista este contexto, o modelo americano se adequa ao Brasil?</strong><br />
<strong> </strong></p>
<div id="attachment_1581" class="wp-caption alignleft" style="width: 257px"><strong><strong><a href="http://www.arianefonseca.com/wp-content/uploads/2010/06/1.jpg"><img class="size-full wp-image-1581" title="1" src="http://www.arianefonseca.com/wp-content/uploads/2010/06/1.jpg" alt="" width="247" height="134" /></a></strong></strong><p class="wp-caption-text">Paulo Rêbelo/ Foto retirada do seu site</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rebêlo –</strong> Não se adequa. São duas realidades completamente diferentes e só não enxerga isso quem não quer. E muita gente não quer enxergar por interesses financeiros, muitos candidatos se deixam levar pelo &#8216;papo Obama’ sem saber do que se trata e sem saber que quem oferece, quase sempre, também não faz a menor ideia do que está falando. Vários marqueteiros estão vendendo um produto que não podem entregar. Para começar, o voto nos EUA é opcional. Uma das lutas primordiais do Obama, na internet, foi gerar mobilização para que as pessoas saíssem de casa para votar. E para votar em algo diferente. O diferente era ele. No Brasil, além de o voto ser obrigatório, não temos nada de diferente – nem de candidatos, nem de propostas. O voto de opinião no Brasil é muito restrito. Ainda temos um amplo leque do voto de cabresto, voto de torcida (quando você não quer votar em quem está atrás nas pesquisas) e votos cruzados. Tudo isso já foi mostrado e provado por vários estudos empíricos e qualitativos. Por isso apostam todas as fichas em marqueteiros, que vão moldar a imagem do candidato e os programas na TV.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Telles -</strong> Apesar das divergências existentes em cada contexto, o modelo americano se adequa, sim, ao brasileiro. Acredito que apesar das diferenças culturais e socioeconômicas, o Brasil está perfeitamente apto para suportar uma campanha presidencial nas redes sociais. Uma prova disso é que antes mesmos das eleições, presenciamos algumas mobilizações feitas pela internet e que tiveram um ótimo resultado, a exemplo cito a “ficha limpa”, que foi uma grande mobilização por assinaturas a fim de viabilizar tal lei. O mesmo pode ser feito nas eleições.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3) A campanha eleitoral pela web pode ajudar os jovens a se interessar mais por política, já que eles são grandes adeptos das novas tecnologias?</strong><br />
<strong>Rebêlo –</strong> Veja bem, não são apenas os jovens que não se interessam por política nos dias de hoje. Há inúmeras pesquisas que revelam o senso comum: ninguém quer saber de política. Há uma falta de confiança generalizada. E com razão. Você vai ver professores, profissionais, muita gente inteligente que não quer saber de política nem de longe. A campanha eleitoral na web poderia trazer parte dessas pessoas para o debate se houvesse de fato propostas novas, uma nova abordagem do ponto de vista político. Temos uma novidade de um lado, mas do outro continuamos com uma abordagem e um jeito de fazer política ainda ultrapassado, eleitoreiro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Telles &#8211; </strong>Sabemos que investir na campanha web é o primeiro passo, mas para ter o sucesso que desejamos e fazer com que os jovens se interessem, é preciso mais. Os candidatos tem que criar relacionamento, mostrar que estão abertos a ouvir o que seus futuros eleitores almejam. Foi isso que a equipe Obama fez para a sua campanha funcionar tão bem. Os EUA estavam pedindo mudança há muito tempo, não estavam sendo ouvidos pela então atual presidência, o Obama chegou dizendo que ele também queria mudança e para isso ia trabalhar junto com eles. Já aqui no Brasil temos mais problemas, não é só levar o jovem a urna, o fazer pensar. Mostrar a eles que além do político estar na rede mostrando sua campanha ele também está ouvindo e mostrando que eles não serão esquecidos depois que o mesmo estiver eleito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4) Qual ferramenta da internet vai se destacar nesta campanha eleitoral? Por quê?</strong><br />
<strong>Rebêlo –</strong> O Twitter tem um papel interessante, porém não fundamental. É o recurso da moda, mas não politicamente. Há quatro anos, era o Orkut. Hoje é o Twitter. A política está apenas surfando na onda, é normal. Empresas fazem o mesmo. Acredito muito na eficácia dos sites oficiais dos candidatos. É uma oportunidade que eles têm de mostrar algo novo, abrir um canal de debates e interatividade com vários perfis de eleitores. O Twitter é apenas um adicional, enquanto o site oficial pode se tornar (se for bem planejado e alimentado) uma referência universal até o fim da campanha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Telles</strong> &#8211; Os microblogs, mais especificamente, o Twitter.  A ferramenta já se mostrou de extrema importância para qualquer pessoa, independente de qual seja o objetivo dela na web. Por seu imediatismo e transparência (o conteúdo é visível para todos), a ferramenta será muito utilizada para os candidatos que desejam estreitar relacionamento com seu eleitor e para transmitir em tempo real o que vem fazendo durante à campanha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5) Quais são os pontos positivos e os pontos negativos, que já puderam ser notados, da campanha eleitoral dos presidenciáveis na rede?</strong><br />
<strong>Rebêlo –</strong> Ponto positivo é o investimento (embora nem sempre planejado) nas novas mídias, a tentativa (apesar de tímida) de fazer algo novo e a oportunidade de pessoas alheias ao processo participarem dos debates, reclamar e até xingar o candidato pelo Twitter. O ponto negativo é usar o mesmo jeito de fazer política mascarado de vanguarda. Maior exemplo são os candidatos que têm contas nas mídias sociais, mas não usam – é a assessoria que atualiza e censura as críticas, por exemplo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<div id="attachment_1582" class="wp-caption alignright" style="width: 240px"><strong><strong><a href="http://www.arianefonseca.com/wp-content/uploads/2010/06/2.jpg"><img class="size-medium wp-image-1582" title="2" src="http://www.arianefonseca.com/wp-content/uploads/2010/06/2-230x300.jpg" alt="" width="230" height="300" /></a></strong></strong><p class="wp-caption-text">André Telles/ Foto retirada do seu site</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Telles &#8211; </strong>Os pontos positivos e negativos vêm andando juntos nas ações executadas até então. Enquanto uns vem trabalhando de forma clara, fazendo questão de serem eles mesmos na rede, outros se encobertam, utilizando de suas assessorias para manter a imagem do “personagem intocável”; uma prova disso é a falta de interação com seu eleitorado, seja não respondendo as mensagens ou proibindo a postagem de comentários em seus blogs.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6) Pela característica de dar voz a minoria, a internet pode ser uma aliada ou uma ameaça aos candidatos? Por quê?</strong><br />
<strong>Rebêlo –</strong> Pode ser uma coisa ou outra, depende como o candidato usufrui do recurso. Mas aqui voltamos à primeira pergunta: até onde a internet influencia no voto? Na prática, influencia bem pouco. Mas pode trazer mais gente para o debate e mostrar um lado do candidato que as pessoas não conhecem. E esse lado “novo” pode ser bom ou ruim, depende de como for planejado e, consequentemente, apresentado ao eleitor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Telles -</strong> Depende. Antes de responder essa pergunta, quero ressaltar que não existe publicidade que resolva o problema de um produto ruim, ou seja, se o primeiro P(produto) do chamado mix de marketing não for bom, o último P(promoção) não o fará. Analisando nesse ponto de vista, por uma questão já cultural, sabemos que os candidatos brasileiros não são produtos bem vistos pelo o povo, por diversos motivos. Sendo assim, dar a voz para a minoria no ambiente web pode ser prejudicial sim, como também, pode não ser. Tudo vai depender muito do candidato e de sua assessoria &#8211; maquiadores do produto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7) Redes Sociais podem ajudar os candidatos a coletarem propostas de políticas públicas?</strong><br />
<strong>Rebêlo –</strong> Até pelo caráter imediatista do Twitter, é impossível coletar conteúdo relevante pela ferramenta. É ótimo para interatividade, para analisar qual é o assunto quente do dia, a reação das pessoas sobre um tópico. Também é ótimo para mostrar ao eleitor que ele “faz parte” de algo. No quesito propostas, contudo, os sites oficiais ou redes colaborativas ainda são melhores para você contribuir com uma campanha ou o candidato se mostrar aberto a esse tipo de contribuição externa do cidadão comum. Pelo Twitter, por ser imediatista, o candidato pode incentivar as pessoas a participar, a conhecer essas redes, a enviar propostas, sugestões.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Telles</strong> &#8211; Sem dúvida. Uma das características das redes sociais é justamente a colaboração. Acredito que o candidato que fizer questão de saber a opinião dos seus seguidores quanto à adoção de políticas públicas colaborativas, terão um grande prestígio perante o povo. Seria o máximo! Uma política pública pelo povo e para o povo, assim como é na mídia social.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8) Será que haverá interesse real dos candidatos em utilizar tais propostas, ou a ferramenta tende apenas a ser mais uma no processo de manipulação da massa?<br />
</strong><strong>Rebêlo</strong>- Aqui temos uma questão bem mais complexa. Não se trata de o candidato se interessar ou não, mas de toda a rede de profissionais e coordenadores por trás de uma campanha política, de um mandato, seja de vereador ou presidente. Via de regra, a elaboração de propostas é validada por uma equipe enorme de profissionais ligados ao candidato e outros profissionais ligados a outros, uma rede bastante extensa. A dificuldade não é “usar” ou “não usar” as propostas do eleitor, mas a de colocar em prática qualquer proposta apresentada. Pelo eleitor ou não. São as velhas promessas de campanha, que a gente tanto conhece.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Telles -</strong> Tudo dependerá do candidato. Se ele for inteligente e entender o crescimento da internet no nosso país, saberá que essa estratégia trará bons frutos não só para sua campanha eleitoral, como também para sua vida política, futuramente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9) Qual pré-candidato, na sua opinião, tem utilizado melhor a rede? Por quê?</strong><br />
<strong>Rebêlo </strong>– A Marina Silva. Sem dúvida alguma. Há vários motivos por trás disso. Ela montou uma equipe bem mais sintonizada com a internet, diferentemente de outros candidatos. Embora todos os candidatos tenham profissionais capacitados em suas respectivas equipes, falta sintonia entre eles. A Marina se apresenta como o novo, a exemplo do Obama nos EUA. Mas a voz dela não repercute. A campanha dela não ultrapassa a faixa dos 10% nas intenções de voto, por que? Porque é uma questão política, não é técnica. A Marina tem usado a internet de um jeito interessante, mas ainda não conseguiu replicar offline a mobilização que ela tem online. Quem se beneficia é um tipo de eleitor muito específico. Se a equipe dela tiver foco e souber planejar bem a campanha pensando no futuro, ela será uma candidata com muita força em 2014.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Telles </strong>– não respondeu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10) Os partidos e candidatos montam seus comitês em várias cidades, muitas escolhidas estrategicamente. Vocês acreditam em uso da rede também de forma estratégica para atingir o eleitor em locais em especial?</strong><br />
<strong>Rebêlo </strong>– Acredito. E acho que, bem planejado e com pessoas engajadas, pode ser uma ferramenta bem interessante na campanha. Os tucanos estão tentando isso com o “Mobiliza PSDB” (www.mobilizapsdb.org.br), até como forma de responder ao PT, que historicamente se mobiliza mais e de um jeito bem mais eficiente em núcleos regionais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Telles </strong>- Sim. Uma das características da internet é justamente não ter limitação geográfica. Ou seja, você pode levar sua mensagem a qualquer nicho do mundo, e a qualquer hora. Assim como a rede servirá para mobilizar nichos eleitorais para determinadas áreas, servirá também para comunicar aos mesmos sem que tenham que sair de casa.</p>
<p style="text-align: justify;">E você, o que acha sobre o assunto? Deixe o seu comentário!</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>* Entrevista realizada, por e-mail, para a disciplina de Jornalismo Especializado da <a href="http://twitter.com/fateabr" target="_blank">@fateabr</a>.</strong></em></p>


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		</item>
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		<title>Vc sabe o q é internetês?</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jul 2009 04:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entre Aspas]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
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		<category><![CDATA[internetês]]></category>
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		<description><![CDATA[Para inaugurar o espaço de entrevistas no Diário de um repórter, conversei com a Mestre em Linguistica Aplicada pela Universidade de Taubaté (Unitau), Neide Arruda de Oliveira, sobre o internetês e seu impacto nos jovens e no Português. Usada inicialmente em chats, essa linguagem caracteriza-se pela simplificação informal da escrita com o objetivo de agilizar [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Para inaugurar o espaço de entrevistas no Diário de um repórter, conversei com a Mestre em Linguistica Aplicada pela Universidade de Taubaté (Unitau), Neide Arruda de Oliveira, sobre o internetês e seu impacto nos jovens e no Português.</p>
<p>Usada inicialmente em chats, essa linguagem caracteriza-se pela simplificação informal da escrita com o objetivo de agilizar a digitação. Os principais recursos utilizados são abreviações e substituição de letras para diminuir o número de caracteres. O jargão empresta à escrita a liberdade da fala, com vocabulário e construções gramaticais próprios.</p>
<p><span id="more-601"></span>Mas o que anima os jovens tira o sono de alguns professores, que veem na nova linguagem uma ameaça a norma padrão de escrita. Confira a entrevista com a professora, que leciona no Ensino Médio e Superior:</p>
<p><strong>Diário de um repórter:</strong> O aprendizado da escrita depende da memória visual: muita gente escreve uma palavra quando quer lembrar sua grafia. O que fazer para não gerar dúvidas nos jovens ainda em formação, bombardeados por diferentes grafias?</p>
<p><strong>Neide Arruda:</strong> A única saída para os jovens é melhorar o nível de leitura de obras que não utilizem o internetês. Por exemplo, um erro comum na escrita dos jovens internautas hoje é escrever o verbo achar como “axou”, ou seja, com x. Se esses mesmos jovens tivessem contato, por meio de leituras ou escrita, com outros tipos de textos, no mínimo ficariam confusos vendo duas escritas diferentes.</p>
<p>Mas o que tenho notado é que esses jovens têm assumido a escrita da internet como sendo a utilizada por todos e não apenas por um grupo de pessoas. Quando eu os corrijo, eles se assustam e perguntam se eu tenho certeza. Isso mostra que os adolescentes não reconhecem que o internetês deve ser utilizado somente na internet e entre os internautas. Cabe aos pais e aos professores orientarem esses jovens internautas.</p>
<p><strong> </strong></p>
<div id="attachment_609" class="wp-caption alignright" style="width: 256px"><strong><strong><a href="http://www.arianefonseca.com/wp-content/uploads/2009/07/servletrecuperafoto.jpg"><img class="size-full wp-image-609" title="servletrecuperafoto" src="http://www.arianefonseca.com/wp-content/uploads/2009/07/servletrecuperafoto.jpg" alt="Neide Arruda de Oliveira" width="246" height="297" /></a></strong></strong><p class="wp-caption-text">Neide Arruda de Oliveira</p></div>
<p><strong></strong><strong>Diário de um repórter:</strong> O internetês pode representar uma ameaça ao idioma?<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Neide:</strong> Essa linguagem não ameaça o nosso idioma, até porque quem cuida dele são as pessoas que pertencem a uma camada mais conservadora, mais tradicional de nossa sociedade. Por um lado, os gramáticos sabem da existência dessa linguagem e não aceitam. Por outro lado, os linguistas tentam explicar esse fenômeno como &#8220;A língua é dinâmica e não estática, sendo assim sempre existirão mudanças que se perpetuadas na sociedade, passarão a vigorar nos dicionários e nas gramáticas&#8221;. Se houver alguma mudança, isso demorará muito tempo.</p>
<p><strong>Diário de um repórter: </strong>Até que ponto esse novo formato pode influenciar no aprendizado e na comunicação entre as pessoas?</p>
<p><strong>Neide:</strong> Essa nova linguagem pode atrapalhar muito o aprendizado das crianças e dos jovens, porque essas pessoas já vêm de uma geração que lê menos livros com uma linguagem semelhante à escrita. Hoje, os livros relacionados aos jovens adotaram uma linguagem coloquial, cheia de contrações e gírias, na tentativa de se tornar atraentes a esse público-alvo. Realmente isso aconteceu, mas por outro lado, a fala distancia-se cada vez mais da escrita e essa escrita ainda possui variantes (como o internetês, o regionalismo, a ambiguidade, os estrangeirismos&#8230;).</p>
<p><strong>Diário de um repórter: </strong>A senhora leciona no Ensino Médio e no Ensino Superior. Onde o internetês é mais comum?</p>
<p><strong>Neide:</strong> O internetês é maior no Ensino Fundamental e Médio. As crianças e os jovens têm maior dificuldade de aceitar a língua padrão, até porque eles só conseguem enxergar a língua como um mecanismo de comunicação entre eles e seus grupos, ou seja, possuem uma visão restrita de linguagem.</p>
<p>Quanto aos alunos do ensino superior, esses já estão preocupados com o mercado de trabalho e sabem que o mercado exige uma linguagem de acordo com as gramáticas. Um erro gramatical pode manchar a imagem de um bom profissional.</p>
<p><strong>Diário de um repórter:</strong> O internetês costuma estar presente nos trabalhos desses alunos, como nas redações, por exemplo?</p>
<p><strong>Neide:</strong> Os alunos do Ensino Fundamental e Médio costumam apresentar em suas redações termos oriundos do internetês como: “naum”, “mto”, “axou”. Quando isso acontece, chamo-os e oriento-os quanto ao uso do internetês fora do mundo virtual. Digo a eles que cada linguagem tem o seu espaço adequado, assim como o vestuário.</p>
<p><strong>Diário de um repórter:</strong> Como conciliar a norma padrão com essas linguagens criadas pelos jovens?</p>
<p><strong>Neide:</strong> Devemos conciliar a linguagem padrão com a linguagem virtual da seguinte maneira: quando estamos em sala de aula, deve haver um acordo entre professores e alunos. O acordo seria que quando fossem realizadas atividades relacionadas à escola, como provas, redações, exercícios, a linguagem utilizada é a padrão.</p>
<p>Quando os alunos interagissem com os professores pelo computador (isso é muito comum atualmente) como: Orkut, MSN, blog ou e-mail, nesse caso, eles (professores e alunos) utilizariam a mesma linguagem virtual. Os alunos gostam quando o professor também usa o internetês. Não há nada demais.</p>
<p>O aluno não gosta de se sentir excluído, assim como o professor. A educação está passando por uma grande transformação. Não existe mais imposição de regras, mas diálogos explicando as razões pelas quais a escola ou os professores estão adotando aquele critério. Para algumas pessoas conservadoras, isso é inadmissível. Mas para os novos pedagogos, tudo se constrói por meio de diálogos e explicações.</p>


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