Percebi que muita gente têm entrado aqui no blog, pelos sistemas de busca, a fim de encontrar conteúdos referentes a produção de documentários. Como muitos de vocês já sabem, estou produzindo um trabalho em vídeo neste formato sobre o centenário do Corinthians como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da faculdade de Jornalismo.
Cheguei a receber alguns e-mails pedindo sugestões de livros, então, resolvi compartilhar por aqui essas obras para também ajudar outras pessoas. Mas, antes de começar, quero deixar algumas definições sobre o que significa documentário, segundo Fernão Pessoa Ramos, em seu livro “Mas afinal… o que é mesmo documentário?”:
- “Ao contrário da ficção, o documentário estabelece asserções ou proposições sobre o mundo histórico” – pág. 22
- “As proposições, as asserções, do documentário são enunciadas através de estilos diversos, variando historicamente. Há sempre uma voz que anuncia no documentário, estabelecendo asserções. No documentário clássico, até o final dos anos 1950, predomina a locução fora-de-campo (a voz over ou voz de Deus)” – pág. 23
- “No documentário contemporâneo clássico, o qual denomino documentário cabo, as vozes parecem misturadas na maneira de postular. A voz do saber, em sua nova forma, perde a exclusividade da modalidade over. Ainda temos a voz over, mas os enunciados assertivos são assumidos por entrevistas, depoimentos de especialistas, diálogos, filmes de arquivo. O documentário, portanto, se caracteriza como narrativa que possui vozes diversas que falam do mundo, ou de si” – pág. 24
- “O documentário, antes de tudo, é definido pela intenção de seu autor de fazer um documentário (intenção social, manifestada na indexação da obra, conforme percebida pelo espectador). Podemos destacar como próprios à narrativa documentária: presença de locução (voz over), presença de entrevistas ou depoimentos, utilização de imagens de arquivo, rara utilização de atores profissionais, intensidade particular da dimensão da tomada” – pág. 25
- “Historicamente, o documentário surge nas beiradas da narrativa ficcional, da propaganda e do jornalismo. A frase clássica de Grierson define o documentário como tratamento criativo das atualidades. […] O documentário inglês constitui o primeiro momento no qual o documentário pensa a si mesmo, enquanto forma narrativa particular”. – pág. 55
- “O documentário brasileiro, do inicio do falado até o surgimento da geração cinemanovista, articula-se basicamente em torno do Ince (Instituto Nacional do Cinema Educativo) e na figura de nosso principal diretor do final do mudo, Humberto Mauro. […] Seu trabalho de documentarista cobre cerca de trinta anos, entre 1936 e 1964, e encontra-se geralmente à sombra do breve sucesso no cinema de ficção”. – pág. 249
OBS: O livro é ótimo e traz muitos outros tópicos interessantes, como a diferença entre o cinema clássico (na qual predomina a ‘voz em over’ – aqueles filmes onde fica aparecendo imagens e um cara em off explica o que elas significam – e o contemporâneo – modelo atual onde as várias entrevistas formam o conteúdo).
Outras obras indicadas para documentários jornalísticos:
- CAMPOS, Flávio. Roteiro de cinema e televisão. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2007.
- GODOY, Hélio. Documentário, realidade e Semiose: os sistemas audiovisuais como fonte de conhecimento. São Paulo, Cortez, 2001.
- LINS, Consuelo. O Documentário de Eduardo Coutinho: televisão, cinema e vídeo. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 2004.
- NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Trad. Mônica Saddy Martins. Campinas, SP: Papirus, 2005.
- PATERNOSTRO, Vera Iris. O texto na TV: manual do telejornalismo. Campus Ed., 2006.
- PUCCINI, Sérgio. Roteiro de documentário: da pré-produção a pós-produção. Campinas, Papirus, 2009.
- ZANDONADE, Vanessa. O vídeo documentário como instrumento de mobilização social: 2003.
- WATTS, Harris. On Câmera: o curso de produção de filme e vídeo da BBC. Summus Ed., 1990.
Eu também encontrei uns textos na internet que me ajudaram muito, segue os links:
- Roteiro de documentário (tese de mestrado de Sérgio Puccini que inspirou o livro)
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Oi Ariane, acho bacana a forma como tem compartilhado conosco as suas inquietações, leituras e experiências, seja pelo blog ou por email, a sua disponibilidade é mais um cartão de visistas. Sempre que posso acompanho suas postagens, que têm sido muito úteis pra mim, já que me encontro numa situação parecerida – tentando produzir um documentário como TCC. Obrigada por tudo. Continuarei de acompanhando. Um forte abraço
Quem dera se tod@s @s jornalistas fossem dedicad@s e fundamentassem sua concepção a cerca do que faz, como você. Parabéns!!!
Muito bacana sua atitude, Ariane.
Navegamos no mesmo mar. Meu TCC é um documentário sobre a minha cidade e a origem do nome: Assis Chateaubriand – isso mesmo,o jornalista. O título é: Assis Chateaubriand, o homem e a cidade.
Seu post com dicas de autores e artigos no blog foi 10. Parabéns!
Um abraço
Clóvis de Almeida
Paraná
Clóvis, que bom que esse conteúdo pode lhe ajudar também. Boa sorte no seu TCC, qualquer coisa, só mandar e-mail.
Ariane, mto legal seu blog.
Eu também sou estudante de comunicação social hab jornalismo na Fanorpi – PR, mas ainda estou no 1º ano, e gostei muito de suas colocações neste blog. Parabéns.
Eu criei um blog a pouco tempo, entre de sua opinião e se puder me de umas dicas tb. http://www.foco-social.blog.uol.com.br
Um abraço