O que já era preocupante se agravou ainda mais nos últimos dias. Com a não obrigatoriedade do diploma para jornalistas – fato este que considero um descaso com a classe e que já comentei neste blog -, os jornais pequenos fizeram a festa.

No Vale do Paraíba, região do estado de São Paulo que moro, o número de periódicos impressos que “coincidentemente” nasceram neste período foi assustador. Sem contar o fato de que, aqueles que já estavam há algum tempo no mercado, aumentaram de forma considerável o seu quadro de colaboradores.

Com a mão de obra barata e desvalorizada, os jornalistas perderam espaço para qualquer pessoa alfabetizada que sabe escrever razoavelmente bem. Se eles ao menos tivessem noções de ética e responsabilidade, ainda que não concorde com esta decisão do STF, dava para relevar.

Mas o problema é que estas qualidades passam bem longe desses “repórteres”. As pautas desses jornais chegam a ser bizarras, falando de assuntos nenhum pouco reflexivos e totalmente adjetivados.

Posso dizer, sem medo, que foram criados com um único objetivo: ganhar dinheiro. Ou são patrocinados pelas prefeituras ou por políticos que querem mostrar seus “grandes feitos” (do tipo conseguir verba para tapar os buracos de uma cidade, o que não é mais do que sua obrigação).

Cada vez que leio fico mais indignada. Não que os jornalistas que passam pelos bancos universitários sejam sempre bons, pois, muito pelo contrário, existem maus profissionais e este índice não é pequeno.

Agora imagine, se estudando já há pessoas que não são capacitadas para tamanha responsabilidade – sim, porque o jornalismo é uma profissão que trabalha com a vida das pessoas, logo, de extrema importância – pense nas que não são?

Eu continuo defendendo, e defenderei até que alguém consiga me provar o contrário (tarefa essa que considero muito difícil), que a universidade é de suma relevância para a formação do jornalista.

Não será a leitura de meia dúzia de livros, um cursinho de verão ou umas aulas com um profissional renomado que vai ensinar a alguém como informar para transformar. Repórter meia boca tem de sobra, agora aqueles que realmente fazem a diferença você até consegue contar nos dedos.

No final das contas, quem mais perdeu com essa história toda, e continuará perdendo se nenhuma medida for tomada, é a sociedade. Para os bons profissionais, sempre haverá mercado para trabalhar. Agora, de informações medíocres e pessoas despreparadas, mesmo que queira, o público não consegue se livrar.

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