Tive o desprazer de conferir, semana passada, o programa jornalístico das tardes da TV Record: “Balanço Geral”. Esperei para comentar sobre o assunto porque estava absorvendo o trauma que tomei deste “telejornal”. Quando eu acreditava que a emissora de Edir Macedo rumava para uma bem-vinda onda de qualificação de sua grade jornalística, com a contratação de profissionais renomados, surge esta ‘coisa’, que mais parece um dos assustadores filmes de Fred Gruger.

Eu já tinha lido sobre ele, mas nunca tinha tido tempo de vê-lo. Não foi uma boa ideia assití-lo, entretanto. Aquela câmera balançando e o sangue sendo jogado na telinha ainda me reviram o estômago.

O que é mais importante: a qualidade ou o resultado? Afinal, o jornalismo não foi criado para passar ao receptor, de uma maneira mais clara e responsável, todos os acontecimentos da sociedade? É claro que sim. Mas temos que lembrar da necessidade em manter a empresa “viva“. E para isso, empresários passam longe do objetivo jornalístico de informar e esclarecer dúvidas da sociedade.

Aprendemos na faculdade de Jornalismo que a responsabilidade com o conteúdo de tudo que passamos ao leitor, ouvinte ou telespectador, será primordial na criação de uma sociedade mais crítica e atenta a tudo o que acontece. Mas isso, muitas vezes, não sai da teoria.

O estilo “mundo cão” colocou em evidência o lado perigoso do jornalismo. Lado esse, que não tem compromisso algum com a realidade. Numa versão televisiva do falecido Notícias Populares, o “Balanço Geral” relata os acontecimentos sem a preocupação de como aquilo que passa, poderá afetar as pessoas ligadas ao fato.

É claro que mesmo na “grande imprensa” é notório casos de exageros na cobertura (alguém falou em caso Isabela? João Hélio? Eloá?), mas o problema é que no mundo cão, extrapolar não é erro e, sim, objetivo.

Será que dar crédito a noticiários que não primam pelo conteúdo é a melhor maneira de adquirir conhecimento sobre tudo que rola no mundo? Crédito a equipes que em nada trazem de diferente do que a conversa com a vizinha por cima do muro?

Informação é essencial, assim como a qualidade de como ela é transmitida. Jornalismo não pode ser apenas utilizado como meio de se garantir pontinhos a mais no Ibope e, sim, como disse uma vez Luiz Beltrão, difundir conhecimentos e orientar a opinião pública no sentido de promover o bem comum.

Confira esta entrevista da UOL com Marcos Savoy, jornalista que já trabalhou em alguns jornais considerados populares. Ele expõe sua opinião sobre o sensacionalismo na TV e na mídia em geral.

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  1. Leonardo Souza on terça-feira 28, 2009

    É..mais um programa que abusa dos acontecimentos sensacionalistas para alavancar a audiência.

    Apesar de tudo isso tem telespectadores e, mais importante, anuncios de publicidade..Sabe por que? O Balanço Geral não hesita em abrir a porta para o povão…e isso traz retorno..

    Logo…não é um exemplo de jornalismo bem feito..mas deve ser considerado uma vertente do jornalismo sim…

    Não concordo com a maneira como é feito..mas respeito essas “várias” maneiras de unir informação e utilidade pública.

    Muito bom o post Ariane…

    Parabéns!

  2. Tássio on terça-feira 28, 2009

    Ontem quando estavá mudando de canais, procurando algo interessante para assistir, no canal Record estava passando o programa Balanço Geral e, me deparei com a frase escrita em baixo na tela, “O Huck em Aparecidade do Norte” . Me chamou atenção o fato da cidade ser vizinha e, resolvi ver a matéria e saber o que seria então o comentado “Huck”. Numa demorada caminhada, com pura enrrolação, depois de informações monossilábicas do reporter, fazendo um drama demostrando medo e ansiedade para conhecer o “Huck”, chegaram numa casa humilde, com um galinheiro bem ao lado. Geraldo Luis, o reporter, apresentou então o tão destacado e famoso galo de briga, Huck.

    Tudo isso me passou uma imagem de anti-profissionalismo, tentei entender se aquilo era um apresentador ou um ator. Até hoje ainda me fasso a pergunta. Como alguém não tem vergonha de fazer matérias tão fúteis e sem conteúdo? Balanço Geral é um programa popular e não hesita em abrir a porta para o povo sim. Mas o povo tem nescessidades maiores que podem ser registradas, como a falta de saneamento básico nas favelas da cidade de São Paulo, hospitais super lotados, fome, moradores de rua, entre várias outras coisas. Um programa voltado para a utilidade pública pode ser mais profissional exibindo matérias sérias, sem deixar de ganhar o conceito e o respeito popular.

  3. arianef on terça-feira 28, 2009

    Muito bem lembrado, Tássio. Concordo plenamente com você. Com tantos problemas sociais no mundo, os jornais se pautam em matérias que pouco têm a acrescentar na vida das pessoas.

    Infelizmente, é do entretenimento que a massa gosta e é por isso que o jornalismo, muitas vezes, cai na superficialidade. Em busca de ipobe, eles querem saber de vender, não de formar conhecimento.

    Há poucos veículos de comunicação empenhados na missão de informar para transformar, como sonhou um dia Clóvis Rossi.

  4. RITA DE CASSIA on terça-feira 28, 2009

    EU ACHO ESSE AAPRESENTADOR K FICOU NO LUGAR DO WAGNER UM SACO, ELE É CHATO, REPETITIVO INFELISMENTE COMO O WAGNER Ñ TEM QUEIRA DEUS K ELE Ñ DEMORE PRA VOLTAR. Ñ TINHA UM MELHOR PRA COLOCAR NO LUGAR DELE?????.