A internet chegou para ficar. Não é uma moda passageira e não haverá retrocesso. Jamais os usuários de e-mail voltarão a escrever cartas e deslocar-se até o correio para postá-las. Com promessas de interação, possibilidade de achar todas as informações que se possa imaginar e até mesmo encontrar a ‘cara metade‘ sentado na frente de um micro, o ciberespaço vem a cada dia aderindo mais adeptos.

Mas como nem tudo são flores, a internet também tem seus pontos negativos. Na web, infelizmente, a preocupação com a qualidade da informação está longe de alcançar os padrões estabelecidos por manuais de redação e aprendidos nos bancos de universidades. O que podemos comprovar é que, como disse Pierre Lévy, quanto mais informações mais equivocados ficam os leitores. “Vivemos a sociedade da informação que não informa, apenas absorve grandes quantidades de dados“.

Para os que querem conhecer mais sobre esse fantástico e, ao mesmo tempo, tenebroso campo de trabalho do ciberjornalismo, a comunicóloga especializada em tecnologia, Pollyana Ferrari, relata em seu livro ‘Jornalismo Digital‘ um pouco de sua vivência na internet. De fácil leitura, vez que não traz o ranço academicista recheado de citações no formato da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), o livro é uma colagem de conceitos usados no dia-a-dia dos jornalistas on-line.

Para quem não conhece bem o jargão da internet, é boa oportunidade de aprender um pouco do vocabulário, infectado ao máximo com termos importados, como blogs, hiperlinks, download, home page e outras expressões que, embora em inglês, podem soar como grego aos ouvidos menos aguçados.

Um dos destaques de ‘Jornalismo Digital‘ é o capítulo III, que retrata o que deve fazer um ciberjornalista. Um dos tópicos mais divertidos do livro está neste capítulo, onde a autora conta de forma criativa o dia-a-dia na redação de um grande portal. Intitulada ‘O fechamento que nunca acaba‘, Pollyana relata o corre-corre dos jornalistas para postar, antes do adversário (esse aposto é de suma importância), os assuntos em pauta. Embora recheado de humor, é também nessa parte da obra que surge uma questão muito importante: a qualidade da informação na web.

Como destacado acima, essa preocupação de ‘jogar‘ a informação primeiro que o concorrente é um problema muito sério no meio. O internauta é bombardeado 24 horas por dia e sete dias por semana com informações e dados que, muitas vezes, não estão comprometidos com as normas jornalísticas. Onde foi parar a reunião de pauta? A preocupação de dar todas as versões de um mesmo fato? O jornalismo como prestação de serviço? Bem, queridos colegas, podemos dizer que ficaram esquecidos entre os bytes e bits. Mais isso é outra história.

Leia também:

:: Texto para web: há diferença?
:: Entrevista com Pollyana Ferrari sobre o livro

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  1. Olá! Por que não deixar um comentário??