Nos últimos posts, tendo em vista a busca pelo resumo do livro “Jornalismo Opinativo – Gêneros Opinativos no Jornalismo Brasileiro”, de José Marques de Melo, no meu blog eu apresentei uma síntese sobre os gêneros jornalísticos editorial, comentário, artigo e resenha ou crítica.
Para concluir essa síntese, hoje vamos falar sobre a coluna. A caracterização do colunismo na imprensa brasileira dá margem a ambigüidades. Há uma tendência geral para chamar de coluna toda seção fixa. De acordo com Rabaça e Barbosa, a natureza ambígua da coluna enquanto gênero jornalístico afigura-se como espaço de entrecruzamento de várias formas de expressão noticiosa.
Segundo eles, a coluna é “a seção especializada de jornal ou revista, publicada com regularidade, geralmente assinada, e redigida em estilo mais livre e pessoal do que o noticiário comum. Compõe-se de notas, sueltos, crônicas, artigos ou textos-legendas, podendo adotar, lado a lado, várias dessas formas. As colunas mantêm um título ou cabeçalho constante, e são diagramadas geralmente numa posição fixa e sempre na mesma página o que facilita a sua localização imediata pelos leitores” – pág. 140.
A coluna cumpre hoje uma função que foi peculiar ao jornalismo impresso antes do aparecimento do rádio e da televisão: o furo. Procura trazer fatos, idéias e julgamentos em primeira mão. Ela surgiu na imprensa norte-americana, em meados do século XIX, quando os jornais deixaram de ser doutrinários e adquiriram feição informativa.
Assim sendo, o público começou a desejar matérias que escapassem do anonimato redatorial e tivessem personalidades. No Brasil, o colunismo floresce na década de 50. Ibrahin Sued foi a figura que dinamizou o colunismo brasileiro mostrando a importância de seu conteúdo.
Inicialmente, o colunismo restringia-se a assuntos relacionados com os ambientes da alta sociedade, hoje se alastra para todas as áreas cobertas pelos jornais diários. Os tipos de coluna mais comuns na imprensa brasileira são: social, política, econômica, policial, esportiva, de livros, cinema, televisão e música.
Tendo como berço o jornalismo norte-americano, a coluna aparece, segundo Fraser Bond, por quatro tipos: a) coluna padrão (dedicada aos assuntos editorias de menor importância); b) coluna miscelânea (não se prende a nenhum assunto, incluindo uma grande variedade de temas e atribuindo uma certa dose de humor e sarcasmo aos assuntos tratados); c) coluna de mexericos (centralizada em pessoas, principalmente da alta sociedade); e d) coluna sobre bastidores da política (situa o leitor no mundo do poder, mostrando-o na sua intimidade). Além desses tipos, Bond faz referência a coluna editorial assinada (no Brasil, chamada de comunitária) e coluna dos leitores.
Pela própria natureza das mensagens que circula – rumores, instituições, projeções – a coluna não se presta à rapidez dos veículos eletrônicos, que exigem precisão nos fatos divulgados. Por isso, o colunismo permanece restrito aos veículos impressos.
Veja também:
:: Jornalismo opinativo
:: Editorial, a voz da empresa diante dos fatos
:: Comentário, o algo a mais das notícias informativas
:: Afinal, o que é um artigo?
:: Resenha, gênero destinado a orientar na escolha de produtos culturais
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