Ano passado, eu e mais sete amigas da faculdade elaboramos uma grande análise folkcomunicacional sobre a cobertura de um jornal regional nas manifestações populares do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. No Brasil, muitas pesquisas foram feitas neste segmento jornalístico, por meio dos estudos desenvolvidos pelo pesquisador pernambucano Luiz Beltrão.
É por meio dele que se encontram os aspectos metodológicos desse ramo de estudo, que tem por objetivo averiguar os processos de comunicação populares, portanto, dos grupos marginalizados nas suas diferentes formas de transmissão de mensagens. Mas, afinal, você sabe o que é folkcomunicacão?
A folkcomunicação configura hoje um segmento inovador de pesquisas latino-americano no âmbito das ciências da comunicação. Este segmento dedica-se ao “estudo dos agentes e dos meios populares de informação, de fatos e expressão de ideias” (Benjamim, 1998).
O objeto de análise dessa nova disciplina situa-se na fronteira entre o folclore (resgate e interpretação da cultura popular) e a comunicação de massa (difusão industrial de símbolos através de meios mecânicos ou eletrônicos destinados a audiências amplas, anônimas e heterogêneas).
A folkcomunicacão surgiu pela primeira vez no primeiro número da revista “Comunicações & Problemas”, onde Luiz Beltrão lançou uma plataforma de uma disciplina que atuaria no âmbito das ciências da comunicação e da informação.
No artigo sobre o “Ex-voto”, ele suscitava o olhar dos pesquisadores da comunicação para um tipo de objeto que já vinha sendo estudado por antropólogos, sociólogos e folcloristas, mas negligenciado pelos comunicólogos.
As ideias de Beltrão estão sendo resgatadas, atualizadas e aprofundadas no Brasil pela “Rede Folkcom”, constituída com o apoio da Unesco. Trata-se de um coletivo de pesquisadores das interfaces entre comunicação massiva e cultura popular que vem se reunindo anualmente nas Conferências Brasileiras de Folkcomunicação. A primeira foi realizada em 1998 no campus da Universidade Metodista de São Paulo, na cidade industrial de São Bernardo do Campo.
No intercom nacional deste ano, que aconteceu em Curitiba (PR), três dessas amigas apresentaram esta pesquisa (eu e as outras quatro apresentamos sobre outro assunto, devido o limite de pessoas por trabalho). Se você se interessou pelo assunto, pode ver o artigo na íntegra clicando aqui.
Neste vídeo, você vê uma resenha do livro “Sistemas de comunicação popular”, de Joseph Maria Luyten. Vale a pena dar uma olhada também:
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