Semana passada fiz uma resenha para a faculdade sobre o livro “Pragmática do Jornalismo – Buscas práticas para uma teoria da ação jornalística”, de Carlos Chaparro (1993), e achei interessante os pontos que ele expõe na obra.
De maneira franca, o texto discute a realidade do jornalismo nacional, levantando polêmicas sobre as informações veiculadas na mídia, além de abordar as questões éticas, em relação às quais os jornalistas, em muitos casos, deixam a desejar.
A partir da análise de notícias produzidas pelos jornais ‘Folha de São Paulo’ e ‘O Estado de São Paulo’, Chaparro denuncia o jogo de intenções que altera a recepção da mensagem pelo leitor, despertando a consciência sobre o poder que nós, jornalistas, temos.
Eis o modelo pragmático para a ação jornalística que o autor propõe:
- Sendo o jornalismo um processo social de ações conscientes, a sua essência só é realizada quando o produto produzido for controlado por intenções inspiradas nas razões éticas que dão sentido social a este processo;
- Porque as ações são conscientes e têm consequências sociais relevantes, o jornalista é responsável moral por seus fazeres;
- Se a intenção controla conscientemente o fazer, então determina os procedimentos técnicos e inspira as buscas e as soluções estéticas;
- A intenção é, portanto, a liga abstrata que funde a ética e a técnica, na busca de uma estética significativa para o processo;
- Dado que a razão ética principal do jornalismo é a de viabilizar, asseverando o acesso ao direito de informação, a estética significativa a ser lançada pelo jornalismo é o relato veraz – isto é: o relato do que em verdade foi visto, sentido e ouvido pelo mediador;
- A ação jornalística se esgota no seu ato de asseverar, quando a mensagem é lida. Os efeitos derivados, em forma de comportamento ou novas ações sociais, fazem parte da esfera criativa e livre do receptor, inserido em suas próprias circunstâncias sociais e seus interesses. Os comportamentos e ações sociais derivadas dos atos comunicativos do jornalismo realimentam o processo social, provocando transformações nos cenários da atualidade e da ordenação ética e moral da sociedade.
Chaparro traz à tona uma discussão muito importante sobre a ética e a responsabilidade deste profissional que trabalha com a vida das pessoas. Muitas vezes ele se encontra naquele dilema de Shakespeare: “Ser ou não ser, eis a questão!” Não sei quanto a vocês, mas espero que a minha escolha seja sempre a de ser verdadeira em primeiro lugar.
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