Tags sensacionalismo

O Haiti, a dor e o papel do jornalista 8


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Nesta semana, postei no Twitter que estava achando muito sensacionalista a cobertura da mídia mundial no terremoto do Haiti. Um amigo dos tempos em que trabalhava em jornal impresso me questionou: “Como fazer uma cobertura não sensacional Dona Ariane?” Pensei bem e respondi: “Respeitando a dor do ser humano, em primeiro lugar. Informar é uma coisa, explorar para ter ibope é outra”.

E quantas vezes os meios de comunicação não extraem até a última gota de sangue e lágrima de um fato para ter audiência e depois, como em um passe de mágica, simplesmente esquecem que ele existiu, não é? Os nomes Izabella Nardoni, João Hélio, Eloá Cristina, Suzane Richthofen (e tantos outros) te lembram alguma coisa?

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O voo AF 447 e a imprensa brasileira 2


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Como se esperava, todas as manchetes dos jornais desde segunda-feira se voltam para a queda do avião que fazia o voo AF 447 e caiu no Oceano Atlântico, depois de decolar do Rio de Janeiro em direção a Paris. Estava demorando para aparecer outro assunto bombástico na mídia a fim do tão sonhado e disputado ibope. Qualquer semelhança com Caso Eloá, Isabela, João Hélio – ou, trazendo para a realidade de acidentes aéreos, Airbus da TAM e Boeing da Gol – é mera coincidência.

Quando paro para pensar na importância e abrangência da profissão jornalismo sinto um medo horrível do futuro desta área, que tem cada vez mais “urubus” fantasiados de homens sérios nas redações. Informar é uma coisa, apelar para o ridículo é outra totalmente diferente.

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Até onde vale a pena? 3


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Ontem estava visitando alguns blogs e encontrei o ‘Os dias provisórios‘, do estudante de Jornalismo Filipe Freitas Rocha. Dentre os seus posts, uma foto me chamou muito a atenção e me deixou intrigada a noite inteira. Fiquei pensando: até onde a sede pela matéria espetacular, a foto magnífica, a imagem do ano vale a pena?

Será que a vontade de mostrar uma notícia para o mundo pode ser maior do que a dor de um ser humano? Essa ilustração é um desenho, mas, infelizmente, este cenário se repete na realidade. Quem não se lembra daquela mãe que não sabia nadar e pulou num reservatório de água para salvar o filho de 7 anos que estava se afogando?

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Informação espetáculo x informação educação 1


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Na sexta-feira meu colega twitteiro Allan Melo  enviou-me uma matéria para assistir, veiculada no SPTV, que, sinceramente, me deu desespero em todos os sentidos da palavra. A notícia falava sobre a invasão de pernilongos no residencial Cocaia, na Zona Sul de São Paulo. Até então tudo bem: era uma pauta diferenciada, uma raridade. Não fosse o sensacionalismo feito pelo repórter global Márcio Canuto até seria uma boa reportagem. Mas o que eu pude ver foi a notícia ser levada ao ridículo.

Segundo o consagrado jornalista Luiz Beltrão, o objetivo do jornalismo é orientar a opinião pública no sentido de promover o bem comum. Mas parece que, nos últimos tempos, a atividade informativa migrou para o campo empresarial com a finalidade de fabricar notícia a fim do tão sonhado ibope. A televisão, como dispõe da poderosa imagem para reforçar a idéia, é a que mais se utiliza deste artifício.

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